PROGRAMA DE CONTROLE DO TABAGISMO NO AMBIENTE DE TRABALHO

 

 

 
O controle do tabagismo no ambiente de trabalho visa reduzir as doenças e mortes relacionadas ao uso do cigarro, as faltas ao trabalho, a diminuição da capacidade produtiva, a incidência de acidentes ocupacionais e demais problemas que concorram para a má qualidade de vida do trabalhador e a improdutividade na empresa

 

   
 

A DOENÇA TABAGISMO

   
 
O tabagismo é uma doença, reconhecida pela Organização Mundial da saúde, constando da Classificação Internacional de Doenças - CID 10, no Capítulo de Transtornos mentais e Comportamentais.
   
 
O tabagismo é uma epidemia (afeta todos os grupos) e também uma pandemia (porque não há local no mundo em que não se fuma).
   
 

O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável em todo o mundo. A OMS estima que um terço da população mundial adulta sejam fumantes, isto é, 1 bilhão e 200 milhões de pessoas.

   
 
O tabagismo hoje é um grande problema de saúde pública, tanto no Brasil quanto no exterior, pois causa mais mortes do que a AIDS, acidentes automobilísticos, homicídios, suicídios e overdoses de outras drogas como cocaína e heroína. 
   
 
Pesquisas comprovam que aproximadamente 47% de toda a população masculina e 12% da população feminina no mundo fumam. Nos países em desenvolvimento os fumantes constituem 48% da população masculina e 7% da população feminina. Já nos países desenvolvidos a participação das mulheres mais do que triplica: 42% dos homens e 24% das  mulheres têm o hábito de fumar.
   
   
 

O Programa de Controle do Tabagismo na Carbonífera Metropolitana

   
 
Implantação: Março de 2001
Responsáveis: Departamento de Serviço social e de Segurança e Medicina no Trabalho
Coordenadores: Maria da Graça Venhold Losso - Assistente Social,

                           João Cardoso Filho – Médico,

                          Glauciani da Silva Stangherlin – Enfermeira

                          Pedro Bosse Neto – Engenheiro de Segurança

Multiplicadores: Encarregados de Setores e voluntários capacitados
Apoio: CIPA
Avaliação: Constante, durante o período de execução das atividades

Elaboração : Maria da Graça Venhold Losso - Assistente Social

  Justificativa :

•Dar continuidade ao desenvolvimento do Programa de Combate ao Fumo, implantado em 1999, contribuindo para a segurança e saúde ocupacional, e ainda tendo em vista que:

•A utilização do tabaco aliada à exposição ocupacional, hábitos e estilos de vida inadequados, interfere na qualidade de trabalho e de vida do trabalhador;

•É elevado o número de fumantes na população geral do nosso país, 23,9% a partir de cinco anos de idade. Nas faixas    de idade consideradas de capacidade produtiva (20 a 49 anos de idade) 37,5% fumam e a grande maioria o faz no local de trabalho (IBGE, 1989);

•O tabagismo é fator de risco de câncer, amplamente demonstrado por estudos epidemiológicos, bem como de doenças cardiovasculares e respiratórias, entre outros correlacionados;

•A OMS considera o cigarro a maior e mais constante fonte de poluição ambiental;

•Absenteísmo, elevados custos com tratamento médico, perda precoce da capacidade produtiva e morte prematura são consequências inevitáveis do tabagismo;

•O tabagismo é uma doença, sendo que o fumante necessita de apoio, aconselhamento, acompanhamento e tratamento médico-social;

•O hábito de fumar no ambiente de trabalho tem sido responsável por inúmeros acidentes;

•Os trabalhadores necessitam de orientações e encorajamento para vencer o hábito de fumar por autodecisão;

•A Carbonífera Metropolitana contava com 29,61% trabalhadores tabagistas em novembro de 2000;

•95% dos ex-fumantes abandonaram o hábito amparados por campanhas educativas e/ou aconselhamentos e intervenções motivacionais por profissionais da área médico-social (INCA, 1996);

•Políticas de restrição de consumo em ambientes de trabalho vem resultando e taxas de cessação de fumar da ordem de 10 a 20% em 1 ano (INCA, 1996);

•Há necessidade de uma intervenção efetiva do Controle do Tabagismo na empresa, de forma continuada e não apenas nas Campanhas Pontuais desenvolvidas pela OMS;

•O trabalho grupal desenvolve o inter-relacionamento e a auto e mútua ajuda.

   
 
Objetivo Geral: Reduzir a morbi-mortalidade por doenças relacionadas ao uso do cigarro, a incidência de acidentes ocupacionais e demais problemas que concorram para a má qualidade de vida do trabalhador e improdutividade na empresa, através de educação preventiva e manutenção de Grupos de Mútua Ajuda
 

Objetivos Específicos:

  • Implantar ações básicas para o controle do tabagismo, tais como: produção de material educativo (cartaz, folder, adesivos, faixas, vídeo), palestras, abordagem grupal e individualizada;
  • Capacitar multiplicadores (encarregados de setores e voluntários) para apoio à Coordenação geral  e enfrentamento conjunto;
  • Realizar diagnóstico períódico na empresa da prevalência dos fumantes por idade e setores de trabalho (superfície e subsolo), inicialmente, e posteriormente, segundo as funções;
  • Elaboração de material educativo (considerações gerais sobre Tabagismo) para o “Minuto de Segurança”, a ser executado semestralmente;
  • Realização de palestras por autoridades no assunto, sobre temas diversos, tais como: câncer, doenças tabaco-relacionadas e poluição tabagística;
  • Inclusão do tema na Semana Interna de Prevenção de Acidentes na Mineração - SIPATMIN
   
 

Grupos  de  Mútua  Ajuda

 
 

Proposta para desenvolver o inter-relacionamento, a troca de experiências e interpretação da realidade vivenciada (o tabagismo), visando a tomada de decisão (cessação do fumo) a partir de informações sobre a doença com orientação, aconselhamento e acompanhamento de equipe interdisciplinar (assistente social, médico, enfermeira e engenheiro de segurança).

 
   
 

CONSENSO NACIONAL SOBRE TRATAMENTO E ABORDAGEM DE FUMANTES:

 
 
1º - ABORDAGEM COGNITIVO-COMPORTAMENTAL
Modelo de intervenção centrado na mudança de crenças e comportamentos que levam um indivíduo a lidar com uma determinada situação: informações sobre a droga e a doença, preparação p/ a solução de problemas, estímulo de habilidades para resistir ás tentações, prevenção à recaída e preparação p/ lidar com o stress.
 
 
2º - TRATAMENTO MEDICAMENTOSO
•Objetivo: minimizar os sintomas da depressão e facilitar a abordagem cognitivo-comportamental
•Terapia de reposição de nicotina: adesivo transdérmico, goma de mascar, inalada em aerosol e spray nasal
•Zyban comprimidos. Funciona bem para quem tem predisposição p/ depressão.
 
 
3º - OUTROS MÉTODOS
•Hipnose, laser, acupuntura, etc. Porém os estudos ainda não comprovaram a eficácia
   
   
 

SITUAÇÃO DO TABAGISMO CARBONÍFERA METROPOLITANA  PERIODO 2001 A 2006

   
 
ANO
TOTAL DE COLABORADORES
TOTAL DE FUMANTES
%
2001
2002
2003
2004
2005
2006
760
716
622
667
796
727
227
167
137
138
126
110
 
29.9
23.3
22.0
20.7
15.8
15.1
   
 

Nos últimos 6 anos, a média do quadro de mão-de-obra da Carbonífera Metropolitana foi de 715 funcionários, sendo que o número de tabagistas vem diminuindo ao longo do período. Concluímos que a melhora se deva não apenas às atividades do Programa de Controle do Tabagismo, mas também a  não admissão de tabagistas no período.

De acordo com o Ministério da Saúde, Políticas de Restrição de Consumo em Ambientes de Trabalho vêm resultando em taxas de cessação de fumar da ordem de 10 a 20% em um ano (INCA, 1996).

   
 

SITUAÇÃO DO TABAGISMO CARBONÍFERA METROPOLITANA SEGUNDO OS SETORES
AGOSTO DE 2006

   
 
FUMANTES
TOTAL
%
SUPERFÍCIE
49
44.5
SUBSOLO
61
55.5
TOTAL
110
100.0
   
 

A análise da situação do tabagismo na Carbonífera metropolitana nos últimos 6 anos, revela a prevalência de fumantes no subsolo, o que sugere a intensificação das abordagens e do tratamento oferecido (médico e social), uma vez que as condições de trabalho no subsolo aumentam os fatores de riscos de adoecimento e morte.

Se considerarmos ainda  comportamentos de risco, como fumar no subsolo, a possibilidade de acontecer acidentes graves / fatais  é muito provável.

   
 

TABAGISMO  X  DOENÇAS INCAPACITANTES  X  TRABALHO

   
 
•O tabagismo mata mais do que o consumo de heroína;
•Na última década, mais de 30 milhões de pessoas adoeceram de câncer de pulmão provocado pela fumaça do cigarro.
•O cigarro é responsável por 80% dos casos de câncer de pulmão, podendo provocar ainda câncer na boca, laringe, esôfago e bexiga;
•O tabagismo é responsável por 75% dos casos de bronquite crônica e enfisema pulmonar;
•O tabagismo é responsável por 25% dos casos de infarto do miocárdio;
•Causa a tromboangeite obliterante (falta de circulação nos membros, podendo levar a amputações), mais comum no sexo masculino.
•O tabagismo pode causar ainda: cataratas, disfunção erétil (impotência), hipertensão arterial, ulcera péptica, leucemia,convulsão e outros;
•Funcionários fumantes apresentam taxa de 40% a mais de absenteísmo (faltas) e perdem 8% do seu tempo de trabalho com atividades relacionadas ao fumo
•O tabagismo também contribui para o desenvolvimento de osteoporose e doença de Alzheimer;
•As despesas com tratamentos de saúde dos fumantes são 25% maior;
•Seus colegas e familiares não fumantes podem afastar-se do seu convívio ou reclamar da sua presença.
•Aproximadamente 40% da população brasileira fumante estão na faixa etária de 20 a 49 anos (período de capacidade produtiva).
   
 

PROCURE EM VOCÊ O NÃO FUMANTE QUE VOCÊ É

   
 
•Após 2 horas sem fumar, não há mais nicotina circulando no seu sangue;
•Após 6 horas sem fumar, o seu coração já bate menos depressa, e a sua pressão arterial começa a baixar, ficando normal em torno de 30 dias;
•Após 12 a 24 horas sem fumar, os seus pulmões já funcionam mais eficientemente, e o excesso de monóxido de carbono é excretado do seu corpo;
•Após 2 dias sem fumar, você já se sente mais limpo, o seu olfato melhora e você já percebe melhor os cheiros, assim como o seu paladar, degustando melhor a comida;
•Após alguns dias sem fumar, os cílios dos seus brônquios começam a se recuperar e passam a limpar os resíduos que os cigarros deixaram nas suas vias respiratórias, expulsando-os com o auxílio da tosse; a recuperação total dos cílios se dá em torno dos 3 meses após você abandonar o vício;
•Após 3 semanas sem fumar, você vai notar que o exercício físico já não lhe é tão difícil de fazer;
•Após 2 meses sem fumar, o seu sangue já flui mais pelo corpo e você sente que tem mais energia e que melhorou sua capacidade física;
•Após 3 meses sem fumar, os seus pulmões já apresentam melhora de sua função e, se você é homem, o seu esperma se mostra normalizado em qualidade e quantidade;
•Após 1 ano sem fumar, o risco de você morrer de ataque cardíaco já foi reduzido à metade do que você tinha quando fumava e, após 5 anos sem fumar, esse risco já é igual ao apresentado pelas pessoas que nunca fumaram.
   
 

OS DIREITOS DOS NÃO FUMANTES

   
 
•1. DIREITO DE RESPIRAR AR PURO
    Os não fumantes têm o direito de respirar ar puro, livre da fumaça irritante e prejudicial de cigarros e assemelhados.
•2. DIREITO DE RECLAMAR
   Os não fumantes têm o direito de manifestar-se quando a fumaça dos cigarros os incomoda e irrita.
•3. DIREITO DE AGIR
   Os não fumantes têm o direito de agir no sentido de evitar a poluição da atmosfera e de obter restrições ao hábito de fumar em locais públicos.